A difícil separação entre um dono e seu cão

Aproximo-me da janela da sala para olhar o local onde ela sempre ficava deitada e não a vejo. Nesse instante surge um nó na garganta e os olhos ficam marejados. Com a luz da sala apagada, não tenho vergonha de deixar uma lágrima cair.

Várias lágrimas caem por Polly, aquela que foi, sem dúvida, a melhor cachorrinha de estimação que tivemos na família.

Até ontem me considerava uma pessoa do tipo que tinha compaixão pelos animais, que, naturalmente, ficava injuriado diante de quaisquer maus tratos aos bichos, mas que jamais se imaginava chorando pela perda de um animal de estimação. Porém, a gente se redescobre nos momentos difíceis. A angústia da separação eterna nos traz surpresas. Tristes, mas surpresas. Quem me dera nunca tivesse descoberto isso.

Polly era uma vira-lata que ficou em nossa família por mais de doze anos. Era uma cachorrinha com personalidade, inteligente e educada. Bastava um vocativo – “Pooooolly!” – para que ela compreendesse o que podia e o que não podia fazer. Adorava carinho e mostrava-se muito ciumenta quando apareciam outros cães.

Oficialmente, Polly pertencia ao meu irmão. Mas cada membro da família sentia-se um pouco dono dela. E ela parecia adorar essa disputa múltipla pela sua posse. Sabia (e gostava, aparentemente) de seu posto exclusivo, como cachorro da família.

Os anos em que Polly esteve conosco foram memoráveis. Foi com ela que descobrimos que a relação entre donos e seus animais não era apenas estereótipo de filmes ou de novelas. Há, de fato, uma relação de carinho e de respeito intensos entre donos e animais.

Polly era meu Marley. E assim como o personagem do livro best seller, tive a felicidade de acompanhar todas as fases da sua vida de cachorro (no bom sentido da expressão). Lembro-me da Polly filhote (arteira e já rabicó), da Polly adolescente (entrando no cio pela primeira vez, ainda quando morávamos em Nova Resende), da Polly adulta (quando teve vários filhotes, sendo que já era avó) e da Polly senhora (começando a sentir o peso da idade, com os pelos começando a ficar brancos e os dentes fracos). Mas, o mais interessante é que, em todas as fases da vida, Polly sempre parecia carregar um pouco da sua fase filhote.

Sempre foi brincalhona e amiga. Gostava de correr. E o som de suas unhas batendo no azulejo quando ela andava era inconfundível. Não podia ver uma brecha no portão que escapava para a esbórnia e depois voltava meio sem jeito, como se tivesse aprontado todas na rua. Quando chegava de alguma “fugidinha”, ia direto para a vasilha com água e bebia vorazmente como se estivesse de ressaca.

Que saudades da Polly! Foi com ela que aprendi, realmente, que o cachorro é o melhor amigo do homem. Vou sentir muita falta! Afinal, era sempre a Polly que me recebia em casa, no portão, chegasse eu a hora que fosse da rua.

Faz só 24 horas que Polly não está mais entre nós, vigilante no portão de casa, mas toda vez que a gente olhar para esse portão ou para a garagem, iremos sempre lembrar da melhor cachorra que tivemos.

Saudades, Polly!

Uma das últimas fotos tiradas da Polly, em outubro, enquanto ela apreciava um "tira-gosto" canino

PS: Protejam e cuidem sempre de seus animais (sejam cachorros, gatos, cavalos, etc.), pois eles valem muito a pena. Aproveitem todos os momentos que tiverem ao lado deles. Um bichinho de estimação pode mudar a nossa vida, deixando marcas de saudades quando chegar o difícil dia da separação.

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