Jornalismo em pauta nesta segunda-feira. Através da iniciativa de alguns professores do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, do Unifeg, foi realizada uma palestra com Rodrigo Amâncio, apresentador e editor do Jornal da EPTV, afiliada da Rede Globo no Sul de Minas. Entre tantos universitários de PP, só não me senti um intruso na plateia porque o assunto principal da conversa era o Jornalismo.

- Rodrigo Amâncio, editor e apresentador do Jornal da EPTV, conversa com os universitários
Rodrigo começou o bate-papo com uma breve apresentação da empresa em que trabalha: a EPTV. Como é comum ocorrer em palestras que versem sobre a atividade jornalística – principalmente em telejornalismo – o palestrante destacou as falsas ilusões da profissão. “Quem assiste a um telejornal imagina que a vida de um repórter é só entrevistar gente famosa e viajar para lugares bonitos”, destacou. Mas, muito pelo contrário, é uma luta diária para produzir notícia. Num mercado em que os salários não são dos melhores e a jornada de trabalho é extensa, o requisito mínimo para um jornalista ser considerado bom profissional é o seu compromisso social. Boas reportagens surgem da responsabilidade do repórter com os cidadãos – geralmente telespectadores, leitores, ouvintes, internautas.
A ética e a vontade de promover transformações sociais também são importantes para se fazer um bom trabalho em Jornalismo. O profissional de comunicação deve estar ligado (o tempo todo) em tudo que o cerca. Compreender as transformações sociais e tecnológicas são fundamentais para uma melhor atuação midiática.
Durante a palestra, com clareza e profissionalismo, Rodrigo esclareceu questões técnicas da produção do jornal diário. Diante de universitários de Publicidade e Propaganda foi questionado – como era de se esperar – sobre departamentos de Marketing e Comercial. Embora não sejam suas áreas no Jornal da EPTV – acredito eu – respondeu com objetividade às dúvidas dos estudantes. Como profissional competente que é, Rodrigo ressaltou que, embora Jornalismo e Publicidade estejam sempre pareados frente ao expectador, é preciso separá-los durante o modo de produção. O jornalismo, mesmo que seja sustentado pelos comerciais, deve ser prioridade dentro de uma emissora. O mesmo pensamento vale para outras mídias que produzem informação e conhecimento.
A sintonia da equipe de produção do telejornal também foi destacada durante a palestra. Repórteres, produtores, cinegrafistas e editores precisam ter harmonia de pensamento. Alguns formatos e padrões de produção de reportagens também foram pontuados no bate-papo. Rodrigo falou do tempo de produção de algumas reportagens mais complexas: um trabalho investigativo, por exemplo, pode levar um mês para ficar pronto.
Mesmo todos os presentes na palestra conhecendo os produtos da Globo regional, Rodrigo fez questão de apresentar em vídeo alguns programas da casa. Trechos do “Jornal da EPTV”, “Jornal Regional”, “EPTV Cidade”, “EPTV Comunidade”, entre outros, foram exibidos pelo palestrante.
Um dos pontos abordados na palestra foi a recente não exigência do diploma para exercer a profissão de Jornalista. Embora concorde que este seja um tema polêmico, Rodrigo disse que a formação superior em Jornalismo é um grande diferencial no mercado de trabalho. Apesar de existirem pessoas que pensem o contrário, a Rede Globo concorda com a não exigência do diploma – para atividades de comentaristas, entrevistadores, entre outros – mas faz questão de contratar e valorizar os profissionais com formação adequada. A teoria é o diferencial do jornalista formado que atua no mercado de trabalho. “Sociologia, filosofia e outros conhecimentos humanísticos são fundamentais para se conhecer o público alvo”, destacou. “E isso vale tanto para jornalistas quanto para publicitários”.
Sistema de TV Digital, Jornalismo para Internet, entre outros pontos foram abordados na palestra. Rodrigo acredita que o profissional de comunicação de hoje (e do futuro) precisa ser multimídia. Mas o conhecimento tecnológico não substitui o domínio da Língua Portuguesa. “O bom português é o básico”, destacou.
No momento da interatividade com os estudantes, após diversas ameaças resolvi fazer uma pergunta. Da minha experiência na produção diária do Jornal TV Sul, transformei uma dúvida em questionamento: como é que a produção da EPTV toma conhecimento de fatos que, às vezes, estão ao nosso lado e não ficamos sabendo? A resposta: “Na EPTV a ronda é feita de hora em hora”. Como já suspeitava, não fiquei surpreso com a afirmativa. Apenas precisava de uma confirmação. “Quem faz a ronda precisa ser ‘o chato’, pois tem que insistir muito. Mas educação é o principal para se ter um bom relacionamento com as fontes”, completou.
Mais de uma vez Rodrigo destacou também a necessidade da formação cultural para ampliação do pensamento. “É preciso pensar longe. O pensamento precisa ir além daquilo que nos cerca todos os dias. É preciso pensar, por exemplo, por que os adolescentes japoneses estão se vestindo de super-herói? Ou então, por que os jovens da Finlândia estão nus?”, brincou. Assim, com bom humor e perspicácia jornalística, Rodrigo Amâncio deixou claro porque está no comando do jornal mais assistido do Sul de Minas: é um profissional competente e gosta do que faz. Isso é essencial no Jornalismo.